Sua empresa está juridicamente preparada para a transformação digital?

Ficou no passado a ideia de integração da tecnologia da informação aos processos de negócio.

Hoje, os valores se inverteram.  As estratégias, em todos as áreas de uma corporação, devem ser originalmente digitais.  O negócio deve se adaptar à grande malha digital que faz pulsar o mundo na atualidade.

Transformação digital, neste sentido, possui um significado absolutamente mais amplo e complexo do que aquele pensado originalmente, como um processo evolutivo de adequação tecnológica.  Atualmente, impõe-se a qualquer empresa a necessidade de reposicionamento para oferecer soluções digitais, de redefinição da experiência do cliente, considerando seu novo papel e poder de influência e, finalmente, de aumentar o nível de integração digital de suas operações.  Em resumo, significa transformar a empresa em uma empresa digital, seja qual for o seu ramo de atuação.

Se é evidente o impacto da tecnologia da informação em todas as dimensões do negócio, não poderia ser diferente no âmbito jurídico.  A própria expansão de sua abrangência gera novos riscos, principalmente ligados à gestão da informação.

A proteção jurídica da informação, tanto aquelas sensíveis à empresa, por questões concorrenciais e de propriedade intelectual, quanto os dados pessoais de clientes e colaboradores, alçada, em alguns países, ao nível de Direito Fundamental e a compatibilização dos mecanismos de proteção de dados a outros direitos, principalmente os direitos da personalidade de colaboradores e terceiros que, de alguma forma, interagem com estes dados, são apenas dois dos aspectos sensíveis que precisam ser tratados pelos departamentos jurídicos das empresas.

Uma nova matriz

A nova matriz de inovação, muito mais aberta e colaborativa, também leva as empresas a buscarem, fora de seus muros, ideias verdadeiramente disruptivas.  Neste sentido, são necessários novos arranjos jurídicos para compatibilização da posição estratégica da empresa sem quebrar esta a organização em rede da inovação.  Novas estruturas societárias, processos de fusão e aquisição (M&A), corporate VCs, são apenas algumas das possibilidades que se abrem neste ambiente.

Por fim, as fronteiras tecnológicas criam verdadeiras “fissuras regulatórias”.  Como se sabe, a velocidade da regulação é absolutamente incompatível com a velocidade da inovação.  Big Data, com processamento de grandes volumes de dados pessoais, inteligência artificial e IoT (internet das coisas) são realidades e as empresas precisam integrar essas tecnologias a seus negócios a partir de uma adequada análise jurídica, identificando vulnerabilidades e caminhos para a mitigação de riscos.

Seja qual for a área de atuação, a transformação digital acontece em um ambiente que, inevitavelmente, envolve riscos.  Atuar conjuntamente com as áreas de negócio e de tecnologia da informação para a identificação e mitigação destes riscos definirá o nível de engajamento dos departamentos jurídicos nesse imenso processo de transformação.